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Marina Colasanti

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Exercício 2, Da leitura como produção de sentidos, Grupo B

O Design e O Ponto

As poesias “A Biblioteca e o Armarinho” e “A Biblioteca e o Design” foram criadas pelo grupo para promover um diálogo entre os textos dos autores Goulemot e Colasanti.

A primeira poesia visa apresentar uma leitura que discuta o conceito de “biblioteca” apresentado por Goulemot contraposto à noção de costura trabalhada enquanto suporte e conteúdo por Colasanti. No entanto, a segunda poesia busca explorar a polissêmia abordada por Goulemot e fazer uma relação direta por meio da substituição de referências à costura por referências ao design.

A verdadeira integração se dá, no entanto, quando ambos os textos não são exibidos isoladamente, mas de maneira sobreposta e costurada a fim de identificar a união de todos os conceitos abordados e o diálogo entre os autores originais. Sendo assim, o grupo optou pela representação dessa sobreposição por interédios de transparências apresentadas no retroprojetor. O resultado obtido se valeu do suporte e de conceitos chave como “biblioteca”, “polissêmia” e “fisiologia” para criar uma apresentação simultaneamente nostálgica e inovadora.

GRUPO B:  Arthur Protasio, Bianca Martins, Claudia Bolshaw, Gabriel Cruz, Liliana Gutiérrez

REFERÊNCIAS:

Colasanti, M. A moça tecelã. São Paulo: Global, 2004.

Goulemout, J. Da leitura como produção de sentidos. In: Chartier, R. Práticas da leitura. São Paulo: Estação Liberdade, 1996

Exercício II, Grupo C: Da leitura como produção de sentidos.

Marcas dispostas na ordem da narrativa (da esquerda para a direita).

Com a finalidade de exemplificar a posição da leitura como prática cultural, como espaço de produção de sentido contextualizado na contemporaneidade, o grupo buscou unir as principais questões presentes no texto de Jean Marie Goulemot (Da leitura como produção de sentidos) e Marina Colasanti (A moça tecelã) a partir de uma inserção no campo do Design. A tarefa, uma atividade desenvolvida em sala de aula, consistiu em dividir a turma em grupos, e cada um destes grupos desenvolver uma narrativa a partir de uma sequência de marcas, isto é, a partir de construções visuais e culturais de grande peso simbólico. A escolha destas marcas e sua sequência obedeceu a uma interpretação conjunta do grupo da narrativa A moça tecelã, de Marina Colasanti (esta informação, porém, só foi revelada à turma ao final da atividade). Por esta interpretação conjunta já ter apresentado inúmeras coincidências e particularidades, advindas das “bibliotecas” individuais de cada um dos membros, esperava-se que os resultados dos outros grupos fossem os mais diversos possíveis. E não tivemos outro saldo! Seguem:

Grupo A – Bianca, Flávio, Heloísa e Julia

Grupo A trabalhando em sua narrativa.

Pâmela, usando sua lingerie erótica Du Loren, depois de se alimentar saudavelmente com a linha Becel para manter o corpo em forma, acessou seu iPhone da Apple e, após resistir ao desejo de comprar um Big Mac no mcdonalds.com, contactou Arnaldão, seu cafetão (que exala Axe barato e pilota arrogantemente sua BMW conversível), para buscá-la. Vestido de  Nike da cabeça aos pés, Arnaldão respondeu:

- Tu acha que eu sou teu motorista, sua vagabunda?

Vendo que só tinha cinco pratas no bolso, Pâmela desceu do salto, pegou o Metrô em Copa e voltou para a Pavuna, para pilotar sua Singer e fazer mais uns trocados.

Grupo B– Cláudia B., Gabriel, Liliana e Protasio

Grupo B trabalhando em sua narrativa.

Era uma noite muito quente e o ar condicionado estava quebrado. Jessica dormia apenas vestindo Du LorenAo acordar, ela segue para comer seu café da manhã. Passa margarina Becel no seu pão. Ao consultar seu iPhone, percebe que está atrasada para uma reunião. Se desconcentra e acidentalmente derruba seu pão. Percebe que não terá tempo de preparar novamente a refeição e corre para o Mc Donald’s mais próximo.

No calor de 40º graus, após sua refeição, percebe que está pegajosa de suor, mas tem apenas o Axe do marido na bolsa. Finalmente chega ao local onde sua BMW está estacionada, mas o motor não pega e ela lembra que o conserto só pode ser feito em uma autorizada. Desesperada, troca o salto alto por seu tênis de corrida  Nike (que convenientemente guarda no carro) e corre para o Metrô.

Às nove horas, o vagão está entupido e Jessica, em meio ao “empurra-empurra” da multidão, sente sua blusa de seda, provavelmente costurada por uma Singer, lentamente descoser. O dia nem começou, mas já está perdido.

Grupo D – Cynthia, Lucia e Patricia

Grupo D trabalhando em sua narrativa.

Hoje não foi meu dia. Quando fui me vestir, pela manhã, dei-me conta de que meu único sutiã cor-da-pele da Du Loren estava com a presilha do elástico a ponto de quebrar. Como sou designer, olhei  ao redor na tentativa de resolver o problema. Uma nova presilha surgiu de um recorte da tampa da minha Becel do café. Porém, acabei mesmo optando pelo araminho de pão, o mesmo que na noite anterior usei para abrir o compartimento do chip do meu iPhone, que acabei quebrando. Por conta de estar sem telefone, não consegui confirmar a entrevista do meu ex-futuro novo emprego no Mc Donald’s, mas fui até lá afogar minhas mágoas num Cheddar McMelt. Quinhentas calorias e uma lagarta! Saí pensando em queimar as calorias, antes reforçando o meu desodorante Axe, claro! Quem sabe enforcar quem deixou o maldito animal na minha refeição…

Estou saindo do restaurante e, finalmente, algo de bom. Um deus grego pilotando sua BMW e eu ali, mal nutrida e com o sutiã meio lá meio cá. Pensei: correr para ele ou correr dele? Meu Nike furado achou melhor tomar a direção do Metrô mais próximo. Desci na parada mais próxima à minha mãe, na esperança de que ao menos a Singer possa remendar meu sutiã e quiçá os meus próximos dias.

A partir destes resultados e juntamente das opiniões e discussões que a atividade desencadeou na sala de aula, o grupo e a turma puderam verificar o caráter tanto arbitrário quanto indutivo de uma marca e de toda a sua significação enquanto construção identitária de um produto, uma empresa ou uma instância em determinado contexto. Prestando-se não apenas como identificação visual daquela instância, uma marca apresenta-se também carregada de valores simbólicos e culturais que são responsáveis e, ao mesmo tempo, formados pela aceitação, pelo entendimento e o uso daquilo que ela representa no contexto social, econômico, político em que está inserida. Assim, ao visualizar nesta atividade quatro narrativas distintas para uma mesma sequência de construções visuais e culturais, o grupo e a turma puderam perceber claramente a posição da leitura como prática cultural, como espaço de produção de sentido contextualizado na contemporaneidade.

Atividade desenvolvida nos dias 27/03/2012 e 10/04/2012.

GRUPO:

Claudia Amaral, Fabiana Heinrich, Marco Lima, Sandro Lopes.

REFERÊNCIAS:

Colasanti, M. A moça tecelã. São Paulo: Global, 2004.

Goulemout, J. Da leitura como produção de sentidos. In: Chartier, R. Práticas da leitura. São Paulo: Estação Liberdade, 1996.