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Exercício II, Grupo C: Da leitura como produção de sentidos.

Marcas dispostas na ordem da narrativa (da esquerda para a direita).

Com a finalidade de exemplificar a posição da leitura como prática cultural, como espaço de produção de sentido contextualizado na contemporaneidade, o grupo buscou unir as principais questões presentes no texto de Jean Marie Goulemot (Da leitura como produção de sentidos) e Marina Colasanti (A moça tecelã) a partir de uma inserção no campo do Design. A tarefa, uma atividade desenvolvida em sala de aula, consistiu em dividir a turma em grupos, e cada um destes grupos desenvolver uma narrativa a partir de uma sequência de marcas, isto é, a partir de construções visuais e culturais de grande peso simbólico. A escolha destas marcas e sua sequência obedeceu a uma interpretação conjunta do grupo da narrativa A moça tecelã, de Marina Colasanti (esta informação, porém, só foi revelada à turma ao final da atividade). Por esta interpretação conjunta já ter apresentado inúmeras coincidências e particularidades, advindas das “bibliotecas” individuais de cada um dos membros, esperava-se que os resultados dos outros grupos fossem os mais diversos possíveis. E não tivemos outro saldo! Seguem:

Grupo A – Bianca, Flávio, Heloísa e Julia

Grupo A trabalhando em sua narrativa.

Pâmela, usando sua lingerie erótica Du Loren, depois de se alimentar saudavelmente com a linha Becel para manter o corpo em forma, acessou seu iPhone da Apple e, após resistir ao desejo de comprar um Big Mac no mcdonalds.com, contactou Arnaldão, seu cafetão (que exala Axe barato e pilota arrogantemente sua BMW conversível), para buscá-la. Vestido de  Nike da cabeça aos pés, Arnaldão respondeu:

- Tu acha que eu sou teu motorista, sua vagabunda?

Vendo que só tinha cinco pratas no bolso, Pâmela desceu do salto, pegou o Metrô em Copa e voltou para a Pavuna, para pilotar sua Singer e fazer mais uns trocados.

Grupo B– Cláudia B., Gabriel, Liliana e Protasio

Grupo B trabalhando em sua narrativa.

Era uma noite muito quente e o ar condicionado estava quebrado. Jessica dormia apenas vestindo Du LorenAo acordar, ela segue para comer seu café da manhã. Passa margarina Becel no seu pão. Ao consultar seu iPhone, percebe que está atrasada para uma reunião. Se desconcentra e acidentalmente derruba seu pão. Percebe que não terá tempo de preparar novamente a refeição e corre para o Mc Donald’s mais próximo.

No calor de 40º graus, após sua refeição, percebe que está pegajosa de suor, mas tem apenas o Axe do marido na bolsa. Finalmente chega ao local onde sua BMW está estacionada, mas o motor não pega e ela lembra que o conserto só pode ser feito em uma autorizada. Desesperada, troca o salto alto por seu tênis de corrida  Nike (que convenientemente guarda no carro) e corre para o Metrô.

Às nove horas, o vagão está entupido e Jessica, em meio ao “empurra-empurra” da multidão, sente sua blusa de seda, provavelmente costurada por uma Singer, lentamente descoser. O dia nem começou, mas já está perdido.

Grupo D – Cynthia, Lucia e Patricia

Grupo D trabalhando em sua narrativa.

Hoje não foi meu dia. Quando fui me vestir, pela manhã, dei-me conta de que meu único sutiã cor-da-pele da Du Loren estava com a presilha do elástico a ponto de quebrar. Como sou designer, olhei  ao redor na tentativa de resolver o problema. Uma nova presilha surgiu de um recorte da tampa da minha Becel do café. Porém, acabei mesmo optando pelo araminho de pão, o mesmo que na noite anterior usei para abrir o compartimento do chip do meu iPhone, que acabei quebrando. Por conta de estar sem telefone, não consegui confirmar a entrevista do meu ex-futuro novo emprego no Mc Donald’s, mas fui até lá afogar minhas mágoas num Cheddar McMelt. Quinhentas calorias e uma lagarta! Saí pensando em queimar as calorias, antes reforçando o meu desodorante Axe, claro! Quem sabe enforcar quem deixou o maldito animal na minha refeição…

Estou saindo do restaurante e, finalmente, algo de bom. Um deus grego pilotando sua BMW e eu ali, mal nutrida e com o sutiã meio lá meio cá. Pensei: correr para ele ou correr dele? Meu Nike furado achou melhor tomar a direção do Metrô mais próximo. Desci na parada mais próxima à minha mãe, na esperança de que ao menos a Singer possa remendar meu sutiã e quiçá os meus próximos dias.

A partir destes resultados e juntamente das opiniões e discussões que a atividade desencadeou na sala de aula, o grupo e a turma puderam verificar o caráter tanto arbitrário quanto indutivo de uma marca e de toda a sua significação enquanto construção identitária de um produto, uma empresa ou uma instância em determinado contexto. Prestando-se não apenas como identificação visual daquela instância, uma marca apresenta-se também carregada de valores simbólicos e culturais que são responsáveis e, ao mesmo tempo, formados pela aceitação, pelo entendimento e o uso daquilo que ela representa no contexto social, econômico, político em que está inserida. Assim, ao visualizar nesta atividade quatro narrativas distintas para uma mesma sequência de construções visuais e culturais, o grupo e a turma puderam perceber claramente a posição da leitura como prática cultural, como espaço de produção de sentido contextualizado na contemporaneidade.

Atividade desenvolvida nos dias 27/03/2012 e 10/04/2012.

GRUPO:

Claudia Amaral, Fabiana Heinrich, Marco Lima, Sandro Lopes.

REFERÊNCIAS:

Colasanti, M. A moça tecelã. São Paulo: Global, 2004.

Goulemout, J. Da leitura como produção de sentidos. In: Chartier, R. Práticas da leitura. São Paulo: Estação Liberdade, 1996.

Da leitura como produção de sentido

Texto para a aula de 27/03/12.
O texto de Goulemout deverá ser impresso para leitura e discussão durante a aula.

Os textos acadêmicos e outros textos (escritos)

A aula tratará de evidenciar algumas diferenças entre os textos conhecidos como acadêmicos e outros textos, todos utilizados em nossa sociedade em formato escrito. Nossa intenção é caracterizar o gênero acadêmico como distinto dos demais, e também refletir sobre o processo da escrita socialmente, pensando nos autores e leitores de tipos diferentes
de textos. Estaremos abordando marcas gerais de textos não acadêmicos e acadêmicos e apresentando, de maneira geral, o formato organizacional destes.

[ Veja o artigo completo ]

Textos acadêmicos e outros textos (escritos). IN: Fundamentos do Texto em Língua Inglesa II. Disponível em: http://www2.videolivraria.com.br/pdfs/14643.pdf

Estética da Criação Verbal

A figura de Mikhail Bakhtin aparece hoje como uma das mais fascinantes e enigmáticas da cultura européia de meados do século XX. De fato, é possível distinguir, como o faz Todorov na introdução, vários Bakhtin: depois da crítica do formalismo vignte, o Bakhtin fenomenólogo, autor de um primeiro livro sobre a relação entre o autor e seu herói; o Bakhtin sociólogo e marxista do final dos anos vinte que aparece nos complexos Problemas da Poética de Dostoievski; o Bakhtin dos anos trinta, marcados pelo Rabelais e pelas grandes explorações culturais no campo das festas populares, do carnaval, da história do riso, e o Bakhtin “sintético” dos últimos escritos.

Os textos reunidos neste volume provêm de três momentos importantes dessa rica carreira e permitem compreendê-la melhor. Iniciam com os extratos da sua primeira grande obra, descrição fenomenológica do ato de criação.
Texto escolhido: Os gêneros do discurso.
IN: BAKHTIN, M. M. Estetica da criação verbal. 5. ed. São Paulo: WMF, 2010. 512p. ISBN 9788578272609

Práticas da leitura

Roger Chartier

Estaçao Liberdade, 1998 – 268 páginas

Roger Chartier nos introduz uma seleção de textos cruciais para um país onde o estudo da leitura (ou da não leitura) e do livro, suas práticas e sua história são apenas incipientes. Os autores aqui reunidos percorrem os principais aspectos deste complexo tema, da leitura erudita e religiosa das elites encasteladas à popular e familiar, exercida precariamente e por poucos numa época em que ler representava status e ascensão social.

Texto escolhido: Goulemout, Jean Marie. Da produção de sentidos da leitura.